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quinta-feira, 9 de abril de 2009

DANÇA DA ALMA

O corpo ferido
o corpo labareda
O corpo recria
a bailarina
a tímida
a melancólica
a ingénua
a racional
a mulher

Irrompe a saudade (ah! a saudade)
e o riso

O medo do toque
a magia do toque
a raiva nos punhos cerrados
a libertação das mãos procurando o outro

Irrompe a condição do ser humano
entre os seus pares

Nesta dança da alma
as lágrimas soltam-se
As entranhas choram um choro
que vai pingando salgados regatos
entre os meus seios

Um choro que vai tecendo nos lábios
esta doçura vinda de mim.


Manuela Almeida

terça-feira, 17 de março de 2009

talvez renascer

Este tumulto no meu corpo
que não pára
Esta luta entre não ser, sendo
que não pára
Este quotidiano de paz podre
que me equilibra
Esta ansiedade de ser, não sendo.

O corpo oscila e rodopia na fúria da tempestade
As amarras esticam em tensão, que dói
AH! Se a corda cede e eu naufrago...
O pêndulo agita-se louco sobre a minha cabeça
Vem podre paz. Podre, mas vem!
Aquieta-me esta agitação que me sacode

A corda está por um fio...
Um útero, uma mão agarra-me.
Um marulhar envolve-me.
Nado num mar que não é o de minha mãe

Desenrolo-me lentamente
Estico-me com muita força
Uns braços recebem-me plenos de sangue, sal e mel.

Primeiro ténue vagido
Depois grito de luta
Quiçá, agora possa ser, sendo...

Manuela Almeida, 2005